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Balanço Hídrico

O conhecimento dos processos hidrológicos de uma bacia hidrográfica é essencial para o direcionamento das ações da gestão de recursos hídricos relacionadas ao uso da água.

O balanço hídrico pode ser entendido como a contabilização das entradas e saídas de água de um determinado espaço. O balanço pode ser calculado para uma camada do solo, um trecho de rio ou para uma bacia hidrográfica.

A bacia hidrográfica é um espaço adequado para avaliação do comportamento hídrico pois tem bem definidas as localizações geográficas das entradas e das saídas.

O entendimento do balanço hídrico depende de vários fatores como conhecimento do ciclo hidrológico (precipitação, escoamento superficial, evapotranspiração, infiltração), variáveis climáticas, condições do solo e sua utilização, hidrogeologia da bacia, usos da água existentes, entre outros.

O balanço hídrico mais recente contabilizado para a bacia do rio Paraíba do Sul e sua sub-bacia Baixo Paraíba do Sul foi realizado quando da elaboração do Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do rio Paraíba do Sul, em 2014, em seu Relatório de Diagnóstico – Tomo III. O Diagnóstico contemplou ambos os balanços quantitativo e qualitativo.

Balanço hídrico quantitativo

Segundo o relatório, o algoritmo do balanço hídrico quantitativo foi desenvolvido utilizando o conceito das “ottobacias” idealizado pelo Eng. Otto Pfafestetter, dotando cada “ottobacia” de seus dados de demanda, retorno, vazões remanescentes dos dois trechos anteriores ao nó em análise e do acréscimo de vazão nos limites da “ottobacia” em referência. Desta forma, foi possível calcular o balanço em cada trecho de Rio codificado na bacia hidrográfica, mediante seleção das “ottobacias” a montante do trecho em destaque e aplicando o cálculo do somatório das vazões remanescentes dos trechos de montante, acrescido da produção de vazão do trecho, diminuído das demandas e somados aos retornos. A base para o cálculo das vazões produzidas em cada trecho de rio foi a vazão de referência Q95, desenvolvida pela CPRM através da regionalização de vazões, concluída em 2013.

O balanço hídrico quantitativo para cada trecho foi representado por meio do Índice de Disponibilidade Hídrica (IUD), obtido dividindo–se a demanda pela disponibilidade hídrica no início do trecho em estudo, sendo a disponibilidade igual ao somatório das vazões remanescentes dos dois trechos a montante, acrescido da vazão incremental do trecho, ou seja:



Balanço hídrico qualitativo

Com o processamento do algoritmo do balanço hídrico quantitativo e de posse dos cálculos das vazões necessárias para diluição de cargas de esgoto domésticos, o balanço qualitativo identificou os locais com disponibilidade hídrica insuficiente para atender a diluição dessas cargas.

O Índice de Qualidade das Águas (IDQ), que é obtido dividindo-se a Vazão de Diluição pela Disponibilidade Hídrica de cada trecho de rio, é o indicador das regiões onde a qualidade das águas fica comprometida por não atender a requisição da vazão de diluição no local, considerando para o cálculo a vazão de referência Q95.

Região Hidrográfica Baixo Paraíba do Sul

Na área de abrangência da região hidrográfica Baixo Paraíba do Sul, de forma geral, os rios apresentam bom suporte hídrico. Como exceção, os municípios de Cardoso Moreira e Itaperuna apresentam estresse hídrico em afluentes do rio Muriaé, com pressão advinda de irrigação.

É importante salientar que, embora o corpo principal do rio Paraíba do Sul apresente, pelos resultados do Balanço Hídrico, vazão remanescente na ordem de 252,00 m³/s na região da ponte da cidade de Campos dos Goytacazes, a diminuição das vazões ao longo do tempo, sobretudo nos momentos de estiagem severa, como a seca ocorrida nos anos de 2014 e 2015, tem provocado danos para a região do Comitê Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana, trazendo como consequência assoreamento em grandes trechos do rio, notadamente no trecho entre São Fidélis e Campos dos Goytacazes.

A diminuição de vazão no rio Paraíba do Sul, com alterações na quantidade e qualidade de suas águas, também tem afetado as condições da região de captação para abastecimento da população do município de São João da Barra. Tal diminuição ainda permite que a intrusão da cunha salina alcance regiões anteriormente livres desta interferência, o que provoca o aumento da salinidade, dificultando ou, às vezes, inviabilizando o uso da água para abastecimento humano.

A região hidrográfica Baixo Paraíba do Sul apresenta, ainda, outro fator que contribui para aumentar as adversidades no que diz respeito aos seus recursos hídricos, qual seja, a menor incidência de chuvas de toda a Bacia Hidrográfica, apresentando áreas com total anual médio de chuva na ordem de 790 mm. A produção de água na região dispõe de indicadores de vazões específicas médias entre 14 l/s.km2 e 16 l/s.km2.

Fonte: Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do rio Paraíba do Sul (COHIDRO, 2014).

Observação: a região hidrográfica Itabapoana não foi considerada nos estudos do Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do rio Paraíba do Sul por não pertencer à bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul.

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Relatório de Diagnóstico – Tomo III do Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do rio Paraíba do Sul